Cientistas lançam uma luz sobre questões acerca das crateras escuras da lua

Não literalmente!

É que há algumas crateras próximas aos polos lunares que nunca recebem nenhuma luz solar, estão permanentemente na escuridão e são chamadas de armadilhas frias.

Crateras escuras da lua

Foto do Pólo norte da Lua

Cientistas planetários apresentaram novas idéias sobre produtos químicos presos nas crateras escuras da Lua e as condições necessárias para a coleta desses compostos.  A pesquisa pode ajudar os cientistas a entender se esses produtos químicos podem ser um recurso potencial para futuras missões lunares, segundo os pesquisadores.
 
A Terra se inclina sobre seu eixo enquanto se move ao redor do Sol.  Isso significa que, a qualquer momento, um dos Pólos da Terra está mais próximo do Sol do que o outro, mas a Lua da Terra não se inclina assim.  

Por isso, existem crateras próximas dos Pólos da Lua que nunca recebem luz solar. Estão Permanentemente envoltas na escuridão gelada. 

O que são

As crateras da Lua são cicatrizes dos cometas que colidiram contra à sua superfície há bilhões de anos.  
Esses cometas geralmente são feitos de compostos como vapor de água, dióxido de carbono e metano.  Sem a proteção de uma atmosfera semelhante à Terra, a maioria desses produtos químicos se decompõe à luz do sol e escapa para o espaço.  Mas se esses produtos químicos - conhecidos como voláteis, por seus baixos pontos de ebulição - acabarem presos nas armadilhas frias da Lua, e eles poderão permanecer congelados por bilhões de anos.

"Compreender o inventário de voláteis e essas armadilhas frias é realmente bom por ser um recurso potencial", disse Dana Hurley, cientista planetária da Universidade Johns Hopkins que apresentou o trabalho.  
Se os humanos estabelecerem assentamentos na Lua, eles poderiam usar água para consumo e metano para combustível.  
Em um novo estudo, Haley e seus colegas pesquisaram as condições necessárias para os voláteis se acumularem nas armadilhas frias da Lua (crateras permanentemente congeladas).
 
Identificar voláteis em armadilhas frias é um desafio, porque elas estão envoltas na escuridão. Por mais de uma década, o Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, ou LRO, mede a fraca luz UV (ultra violeta) que emana de estrelas e hidrogênio no espaço e reflete nas crateras frias da Lua. Em 2019, os cientistas examinaram os dados no reflexo de uma cratera chamada Faustini, eles encontraram uma mudança abrupta na reflexão que correspondia ao gelo, mas também que eles achavam que poderia indicar a presença de dióxido de carbono.
Para entender a probabilidade de o volátil desconhecido ser dióxido de carbono, Haley decidiu explorar a quantidade de dióxido de carbono necessária para que ele acabasse em uma armadilha fria em primeiro lugar. 

"Para cada molécula de dióxido de carbono que você libera em algum lugar da Lua, que porcentagem delas chega às essas armadilhas e fica lá?", Explicou Hurley.

Usando dados do LRO da NASA sobre os tamanhos e temperaturas de armadilhas frias, Haley montou uma análise probabilística chamada simulação de Monte Carlo para determinar quanto dióxido de carbono chegaria a uma armadilha fria.  
 
"Solto partículas e as sigo em trajetórias", diz Hurley.  Ela considerou a probabilidade de que as moléculas fossem quebradas pela luz do sol antes de atingirem uma armadilha fria.
O modelo de Haley previu que, de todo o dióxido de carbono liberado na Lua, de 15 a 20% acabaria em uma armadilha fria. Isso foi mais alto do que as previsões anteriores e um resultado bastante surpreendente para Hurley, considerando as áreas de superfície relativamente pequenas das armadilhas de frio.
"Só de saber exatamente quão pequena era a área onde estava tão frio, é realmente interessante que você consiga entregar tanto dióxido de carbono lá", disse ela.

Em seguida, Hurley planeja realizar uma análise semelhante para o metano e o monóxido de carbono.  

Mais informações sobre materiais voláteis podem nortear os cientistas no estudo de armadilhas frias e levá-los a uma melhor compreensão da nossa companheira celestial.

Fonte: https://blogs.agu.org

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